22 de janeiro de 2007

CIMA DA LEI

Ao escutar o repugnante depoimento do chefe do sindicado dos juízes, defendendo a sentença de seis anos de prisão para o pai adoptivo que recusou entregar a filha ao desconhecido pai biológico (que por sinal, de acordo com as imagens televisivas, mora num belo tugúrio...), voltei a comprovar que esta classe se considera acima da vida real. Um casal que crie uma criança não pode ser considerado como família, apesar do consentimento da mãe biológica, se não tiver passado pelo calvário do processo de adopção. Não interessa se provaram amar e respeitar este novo filho. O que conta é o acto de parir e a bênção de homens e mulheres que vivem de acordo com o que está escrito em livros. Por isso, as cadeias estão cheias com gente que de toda a evidência deveriam ter tido outro destino. E também por isso, continuarão a aparecer bebés no lixo, crianças torturadas por mães jovens e impacientes e outras abusadas por famílias perfeitamente legitimas.
Não sei se o sentimento que toda esta ?legitimidade? me provoca poderá ser classificado de ?anarca?. Mas que me mete nojo partilhar o mundo com esta gente, mete...

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